quarta-feira, 3 de março de 2010

A FISIOTERAPIA E A POLÍTICA

Os avanços técnicos, tecnológicos e científicos, a ampliação das áreas de atuação, e a complexidade da saúde elevaram a Fisioterapia para novos patamares sócio profissionais, que demandam ações e estratégias que nos permitem mudar e interferir para um novo tempo na história. Várias lutas como a de autonomia das profissões, a pressão para diminuição da carga horária dos cursos de graduação, o difícil controle e garantia da qualidade dos mesmos, a desorganização das representações civis e das entidades associativas, a dificuldade de inserção nas políticas públicas de saúde para atender as necessidades da demanda social, entre outros, dependem de estratégias constantes, que necessitam de articulação entre todas as esferas de representação.

Dentre as várias estratégias vejo na política, mesmo que mal vista por muitos, como um forte aliado para reverter e transformar a saúde pública e privada e assim inserir de forma efetiva o profissional Fisioterapeuta neste mundo cada vez mais competitivo. A visão da política para a categoria não pode ser tratada com descaso, coisa de profissional obsoleto ou incompetente, pois na minha visão somos o que reproduzimos e a abstenção na participação sistemática das políticas da saúde faz com que o profissional de Fisioterapia crie um paradigma que isto não é coisa para Fisioterapeuta e que devemos ser reconhecidos apenas pelas grandes obras como reabilitadores capazes de tratar e recuperar doentes. Não quero dizer que a busca deste reconhecimento não seja relevante, mas como o próprio nome diz “política” da palavra grega “polis” significa à cidade, lugar onde as pessoas vivem juntas, logo é uma ação de bem comum para indivíduos que querem viver em comunidade. Este marasmo e esta indiferença nas questões que envolvem decisões sobre a categoria seja esta legal, ética, mercadológicas dentre outras, enfraquece a profissão e coloca o poder de decisão nas mãos de um pequeno grupo mais atuante e audacioso que acaba dominando sem resistência ou limites as ações relacionadas à saúde deixando grande parte da população órfã de tratamentos benéficos para sua saúde em detrimento de ações corporativistas.

A ação política é indelegável e para a constituição de uma nova sociedade e de espaço na área da saúde obriga a participação de todo Fisioterapeuta sem a terceirização de suas ações neste processo. A alegação de que não fui avisado, não gosto de política ou que não entendo nada disso, não justifica a sua falta de participação, pois a ampliação de nossa participação no mercado de trabalho depende dessas ações.

A política traz o equilíbrio entre necessidades coletivas e administração pública e é um dever do cidadão em respeito à sociedade que lhe mantém. É imprescindível, para um futuro promissor da nossa profissão, nos engajar nas ações políticas referentes à saúde tanto nas ações gerais, como promotor de saúde, quanto nas específicas que são próprias da profissão.

Assim sendo vejo que para as ações terem efetividade e continuidade, a renovação das gerações necessita revelar, em seu meio, líderes engajados e com acúmulo de lutas e enfrentamentos na história da Fisioterapia.

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